quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Alfabetização de faz-de-conta

Quatro décadas atrás, em 1968, o educador pernambucano Paulo Freire escrevia, durante exílio no Chile, sua mais importante obra, Pedagogia do Oprimido. A partir desse livro, suas idéias ganharam o mundo e continuam vivas até hoje. A série Paulo Freire: o mestre do mundo, que começou dia 14/09 no Jornal do Commercio e JC OnLine e amanhã na TV Jornal, Rádio Jornal e Rádio JC/CBN, mostra como o pensamento freiriano influencia a educação brasileira. Textos de Margarida Azevedo. Produção de Fernando Carvalho.

Do Jornal do Commercio

Em vez de casa, o garoto escreve kaia. No lugar de bola, bobi. A palavra mala é grafada baga. Lata é escrita aia. Quem redige não é um menino que está sendo alfabetizado. Ele está cursando a 6ª série do ensino fundamental em uma escola da rede municipal do Recife, localizada na Zona Sul da cidade. Oficialmente, não faz parte do grande contingente de 14,4 milhões de analfabetos brasileiros. Mas aqui pouco importa estatística. O País de Paulo Freire, um dos maiores educadores do mundo, convive com um problema grave e que envergonharia o professor pernambucano: a alfabetização de faz-de-conta. Quarenta anos depois da publicação do mais importante livro dele, Pedagogia do Oprimido, que revolucionou a visão da educação, o Brasil, além de não ter todos os habitantes sabendo ler e escrever, tem que encarar a péssima qualidade do ensino público.

“Eu leio só para mim”, afirma um encabulado aluno da 6ª série, 14 anos, de outra escola municipal, desta vez na Zona Norte, ao negar o convite para ler um pequeno texto do livro de ciências. Sem coragem para encarar a reportagem do JC, ele logo sai da sala. A professora conta que o adolescente não sabe ler. Em outro colégio municipal, um estudante da 5ª série, 13, aceita o pedido, mas nas primeiras frases, desiste. Atropela as palavras e confunde as letras. Pára e diz que não quer mais continuar. Questionado se entendeu o que leu, ele fica em silêncio.

A situação ficou tão crítica que a mãe do menino, uma faxineira que só estudou até a 2ª série, solicitou à professora que o reprovasse no ano passado. “Eu pedi para meu filho repetir de ano, que não fosse para a 5ª série, porque ele não sabe de nada. Ele mesmo me pediu isso porque fica com vergonha na sala. O irmão dele, de 9 anos, que está na 2ª série, sabe mais”, conta a faxineira. “É errado passar quem não sabe. Fico muito preocupada porque é o futuro do meu filho. Como não consegue entender o que a professora diz, ele muitas vezes faz bagunça, fica fora da sala, não se interessa pelo estudo. O pior é que não tenho como pagar uma escola particular para ele”, afirma.

As escolas da rede municipal do Recife funcionam no sistema de ciclos. O primeiro compreende três anos, equivalente a alfabetização, 1ª e 2ª série. A retenção (não se chama reprovação) só pode ocorrer no terceiro ano. O mesmo vale para o segundo ciclo, que compreende as 3ª, 4ª, 5ª e 6ª série. Ou seja, mesmo que o estudante não aprenda, só vai repetir de ano na última série cursada. “Entendemos que a aprendizagem é um ciclo e o ritmo do estudante tem que ser respeitado. Na Europa, não se reprova nas séries iniciais do ensino básico”, justifica a secretária de Educação do Recife, Maria Luiza Aléssio.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Aberta a III Semana pela Democratização da Comunicação
Postado em 14/10/2008

Estudantes, professores, jornalistas e comunicadores comunitários participaram da primeira mesa-redonda do evento

Começou nesta segunda-feira (13) a III Semana Pela Democratização da Comunicação, na UFPB. O evento foi aberto com as falas de Alexandre Guedes - presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PB - e Jany Alencar, representante da ONG Amazona – Associação de Prevenção à Aids - e da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária na Paraíba – Abraço-PB.

No primeiro perfil, Alexandre Guedes fez um apanhado histórico sobre os direitos humanos, ressaltando a Comunicação como um deles e questionando a forma pela qual o assunto tem sido abordado pela mídia. No debate com o público, foram levantadas questões como ética e compromisso social dos profissionais e veículos de Comunicação.

Jany Alencar, que trabalha a prevenção à Aids através da educomunicação, levou à mesa a vivência prática da Comunicação Comunitária. Ela chamou atenção para a importância da informação produzida de forma independente. A educomunicadora ressaltou, também, a necessidade de o debate sobre o assunto acontecer dentro da universidade, na formação dos profissionais. Jany lembrou que o fato de uma rádio ou jornal serem comunitários não significa que atuem de forma amadora, e que são necessários, sim, recursos técnicos e capacitação de pessoal.

Esse primeiro momento da Semana contou com a presença de professores, estudantes, jornalistas e representantes dos coletivos de comunicação comunitária de João Pessoa. No final, foram sorteados exemplares da Constituição Federal doados pelo projeto Educação Legal - do Departamento de Pedagogia da UFPB.

A III Semana pela Democratização da Comunicação acontece de 13 a 17 de outubro, no Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB. O evento é uma realização do ComJunto – Coletivo de Estudantes de Comunicação Social da UFPB em parceria com a ABRAÇO/PB – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária na Paraíba; a ONG Amazona e o Projeto Cinestésico. O evento tem apoio da Universidade Federal da Paraíba – UFPB; do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes – CCHLA/UFPB; do Departamento de Comunicação e Turismo – Decom-Tur/UFPB; do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra – MST; da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – Enecos; do site O Informativo (www.oinformativo.net), do Sebo Cultural e das rádios comunitárias Independente e Voz Popular.

OFICINAS
Continuam abertas as inscrições para as oficinas de Cineclubismo - com Zonda Bez (MinC);Teatro do Oprimido - com o grupo O Grito - e para a o Portal Itea (produção de conteúdo para suporte multimidiático).

NÚCLEOS DE VIVÊNCIA
Foram iniciadas, também, as inscrições para os núcleos de vivência, que acontecerão na quinta-feira (16). Os locais visitados serão a sede do MST e as rádio comunitárias Voz Popular e Independente.

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Sai a programação da III Semana pela Democratização da Comunicação
Postado em 03/10/2008

Hoje, foi divulgada a programação da III Semana pela Democratização da Comunicação, que acontecerá de 13 a 17 de outubro, no Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB. O evento está sendo organizado pelo Coletivo COMJunto, formado por estudantes de Comunicação Social, em parceria com a ABRAÇO-PB (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária no Estado da Paraíba) e a ONG Amazona.

Além das palestras, o evento conta com atividades como rodas de diálogos, oficinas, núcleos de vivência e programação cultural. Segundo Alexandre Santos, “Nós pretendemos fazer com que esse evento seja um espaço de encontro entre os movimentos e entidades que tenham a democratização da comunicação como bandeira de luta”.

No dia 14, às 9h, será realizada a primeira reunião para a realização da I Conferência Estadual de Comunicação Social, etapa preparatória para a Conferência Nacional. No mesmo dia, às 19h30, haverá a reativação do Fórum Metropolitano de Comunicação Comunitária, coletivo formado por rádios comunitárias, difusoras, jornais de bairro e institucionais dos movimentos sociais, entre outras mídias populares.

“Está na hora de nos unirmos para ocupar todos os espaços dessa cidade. A conjuntura local e nacional não dá brecha para que os movimentos se organizem se estiverem isolados. A Semana pela Democratização da Comunicação vem com o objetivo de agrupar todos esses movimentos e entidades num único espaço para que as articulações sejam feitas e terminemos o evento com perspectivas de novas construções”, diz Alexandre.

Dedicado a todos os Professores

Gosto de ser Professora.
Apesar de tudo,
Apesar de todos foi a profissão que escolhi e que me orgulho de ter.
Gosto de ensinar e aprender e
É neste devir constante, nesta relação permanente, que está a magia desta profissão (que tem vindo ser tão desrespeitada pela sociedade em geral e pelos governos em particular).
E continuo a sorrir, a cada dia que chega, a cada semana que torna a cada ano que (nunca) se repete, apesar do cansaço e do stress que vão ficando acumulados com o tempo que vai passando.
As razões deste Sorrir?
São três.
A Primeira;
A Única;
E Última, são os alunos.
Os meus alunos.
Sois, definitivamente, a razão do meu sorrir!!!

Ser Professor é um desafio.
À vontade e à motivação.

Ser Professor é acreditar.
Na força dos jovens e nas suas capacidades.

Ser Professor é querer.
Ajudar na formação e educação dos jovens de Hoje, mas Homens de Amanhã.

Ser Professor é ser amigo.
Que ajuda incondicionalmente mas que critica construtivamente quando há erro.

Sempre!